Shibari: conheça a arte japonesa que amarra o parceiro para dar prazer

Tempo de leitura: 9 minutos

Você conhece ou já ouviu falar em shibari?

Shibari: conheça a arte japonesa que amarra o parceiro para dar prazer

Em japonês, shibari (しばり) significa “amarrar”.

Shibari é uma arte erótica oriental, espécie de bondage, que envolve técnicas de amarração usando cordas de fibras naturais e diferentes tipos de nós, usando a estética como aliada.

Os nós, além de firmes e seguros, devem ser bonitos e harmoniosos. Porém, não é só isso. Através das cordas é possível promover troca de energia, sentimentos e prazer entre os envolvidos.

Atualmente, o shibari faz parte das preliminares no ato sexual, principalmente para os adeptos de BDSM (Bondage, Dominação, Submissão e Sadomasoquismo).

Mas ele não surgiu com objetivo erótico, muito pelo contrário. Suas origens históricas datam da época medieval no Japão e estão ligadas à contenção de prisioneiros comuns e de guerra. 

A origem

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O Shibari tem sua origem ligada ao Hojojutsu, arte de prender e amarrar um prisioneiro por meio de cordas, usada no período feudal no Japão (Era Edo – de 1603 a 1868) pelos samurais.

No entanto, a honra dos samurais exigia que eles tratassem bem seus prisioneiros. Então, eles usavam as amarrações para prender, mantê-los vivos ou impedir que fugissem.

Com o tempo, as amarrações foram se aperfeiçoando até se transformarem em um sofisticado sistema de uso de cordas para amarrar pessoas.

Daí para a prática de tortura foi um passo – os japoneses descobriram que, ao apertar determinados pontos do corpo humano era possível provocar muita dor. Assim, eles aplicavam diferentes técnicas para amarrá-los e torturá-los, a fim de extrair suas confissões.

O Fetiche

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A corda, assim como as correntes de metal usadas para prender donzelas nos contos de fada ocidentais, acabou virando objeto de fetiche.

Com o fim dos conflitos no Japão, o shibari migrou para o teatro e, mais tarde, para os quartos de casais adeptos do BDSM.

Esta arte de amarrar de forma erótica ficou conhecida como shibari (amarração decorativa) ou kinbaku (amarração apertada).

As cordas

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Ao contrário de outras práticas do BDSM que utilizam vários tipos de materiais como fitas adesivas, de látex ou ainda, cabos sintéticos para amarrar a parceira, o shibari utiliza apenas fibras naturais – de preferência de juta 100% natural e com a tradicional torção controlada de 3 pernas – mas podem ser usadas cordas de algodão, bambu, coco ou cânhamo também.

Isto porque as cordas são um meio de conexão pela qual a emoção flui entre aquele que amarra e aquele que está amarrado, promovendo intimidade e troca de sentimentos e emoções. Sendo assim, o material precisa ser natural e de qualidade.

A arte do Shibari

Shibari: conheça a arte japonesa que amarra o parceiro para dar prazerA beleza do shibari está em produzir laços simétricos ou não, e nós que formem desenhos harmoniosos, criando padrões geométricos e formas que valorizem as curvas naturais do corpo humano.

Os nós favorecem e realçam o desenho do corpo, destacando as partes íntimas de forma exagerada, marcando as curvas femininas e suas contorções eróticas. Mas nada é feito de forma aleatória.

É preciso conhecimento da anatomia humana para posicionar corretamente os nós, porque além de estéticos, se bem posicionados, estimulam pontos de pressão no corpo de forma similar à acupuntura ou ao Shiatsu – massagem japonesa. Alguns acreditam, ainda, que o Shibari estimula o fluxo e a transferência de energia Ki (energia vital).

Em contrapartida, se os nós forem mal colocados, podem machucar e causar dor e desconforto.

Efeito terapêutico

Enquanto algumas pessoas buscam o Shibari apenas pela excitação sexual ao terem seus sentidos restringidos, outras relatam alcançar um estado meditativo profundamente terapêutico, além de sentimentos de paz, relaxamento, confiança e até de liberdade.

Ou seja, o shibari é muito mais do que amarrar uma pessoa. É uma arte que pode proporcionar uma experiência sensorial incrível, liberando vários tipos de emoções.

Sentir as cordas deslizarem pelo seu corpo, fazendo nós e pressão em diferentes áreas, estimula e eleva a energia sexual. Além disso, estar subjugada e vulnerável, ativa sistemas primitivos de alarme inconsciente, propiciando orgasmos intensos.

Confiança

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É importante que haja consensualidade na prática do shibari, lembrando que segurança é item obrigatório. Desta forma, o casal deve ter total confiança um no outro, garantindo assim, um ambiente controlado e uma sessão totalmente segura.

Assim, ficam proibidos o consumo de álcool ou qualquer outro tipo de entorpecente por ambas as partes, uma vez que vocês precisam entender e respeitar os limites um do outro e não podem perder o controle sobre si mesmos durante a sessão.

Quem domina deve cuidar de quem está sendo dominado e ambos devem determinar seus limites. Então, caso você seja Dominador e goste de extrapolar e praticar técnicas mais perigosas é importante que tenha, pelo menos, uma noção de primeiros socorros, caso seja necessário.

Precauções

Para praticar o Shibari será necessário um estudo rigoroso, antes de mais nada. Cuidado com tutoriais na Internet. Busque um profissional capacitado, porque é uma ação que envolve muitos riscos.

Você pode machucar alguém caso não sejam tomadas as devidas precauções. Se o nó estiver muito apertado, por exemplo, pode cortar a circulação sanguínea. Além disso, em algumas áreas do corpo pode provocar oscilação de pressão, asfixia ou desmaio.

Dicas de segurança:
  • Use apenas cordas de fibras naturais.
  • Pergunte sobre o estado físico e psicológico da pessoa que será amarrada.
  • Evite o pescoço, áreas muito macias, dobras do corpo como joelho, cotovelo e articulações.
  • As cordas devem passar por cima ou por baixo dos seios, nunca em cima deles.
  • Verifique o condicionamento físico e se necessário, faça alongamentos para evitar cãibras e contusões.
  • Pare imediatamente se ocorrer mal-estar, formigamentos, calafrios, asfixia, enjoos ou hiperventilação.
  • Tenha uma tesoura à mão para soltar rapidamente as cordas em caso de necessidade.
IMPORTANTE: Se você não tiver como interromper imediatamente, não faça.
Três áreas do Shibari

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Kazari-nawa (restrição artística)

Kazari (enfeitar, decorar) e nawa (corda) preza pela restrição com as cordas de forma artística, bonita e bem trabalhada. Necessariamente, para ter beleza, não precisa ser simétrica. Uma boa amarração assimétrica pode ser até mais bonita. No entanto, não pode haver sobras de cordas ao final da amarração.

Ne waza (técnicas de chão)

Como já diz o nome, nesta técnica as amarrações são feitas no chão. O objetivo pode ser acariciar ou torturar, sendo que, independentemente da finalidade, a corda sempre será um meio de conexão entre os envolvidos, promovendo intimidade e troca de prazeres, sentimentos e emoções.

Por esta técnica oferecer várias possibilidades de amarrações e posições, cabe lembrar, apenas por cautela, de fazer bom uso dos princípios de segurança.

Kata ashi tsuri (semi-suspensão) e Tsuri (suspensão total)

Tanto nas técnicas de Kata ashi tsuri, quanto nas de Tsuri são necessários conhecimentos e técnicas adequadas, uma vez que ambas oferecem maior risco pela possibilidade de causar danos e lesões em nervos e até ferimentos mais graves. Neste caso, os laços e nós devem ser precisos, firmes, mas ao mesmo tempo, fáceis de desatar.

Para praticar essas técnicas são necessárias roldanas no teto e/ou parede que devem ser instaladas por um profissional competente e é importante respeitar os limites de peso desses equipamentos.

Como é realizado?

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Como acontece no BDSM, o casal se divide em dominador e dominada ou submissa. A submissa adota um papel no qual ela permanece sob a vontade do outro, obedecendo e se deixando imobilizar.

As cordas funcionam como uma extensão dos dedos do dominante e são acompanhados de toques, carícias, gestos, olhares que promovem diferentes sensações. O que o dominante faz quando tem a “submissa” em suas mãos? Bom! Tudo depende do relacionamento entre os dois.

O processo de amarração

O processo de amarração do Shibari tem várias etapas:

  • Imobilização do tronco
  • Nádegas e barriga
  • Fixação do corpo em sua totalidade
Algumas técnicas do Shibari:
  • Ushiro te shibari: mãos amarradas atrás das costas
  • Futomomo: qualquer amarração feita nas coxas
  • Ebi shibari: a pessoa é amarrada em posição sentada com as pernas cruzadas e o peito e a cabeça são dobrados e amarrados às pernas
  • Hishi shibari: amarração que cria formas de diamantes
  • Karada: grande variedade de amarrações no tronco
  • Matanawa: a corda é colocada principalmente nas áreas genitais – área púbica e pelve
  • Takate-kote: a clássica amarração no tronco
  • Tsuri: todas as suspensões
  • Gote Gasshou: mãos nas costas em posição de oração
  • Teppou shibari: amarração assimétrica em que os braços parecem um rifle carregado no ombro
Por que praticar o shibari?

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O Shibari pode oferecer uma experiência sensorial maravilhosa e pode ser usado como uma alternativa diferente para melhorar a dinâmica do casal, explorando o intercâmbio emocional e conectando seu lado mais íntimo e sombrio.

A combinação do poder e da vulnerabilidade do bondage ocidental com a beleza, a sensibilidade e o toque erótico provocado pelas cordas fazem do shibari uma arte e uma experiência surpreendentes.

Se você ficou curiosa, chame seu parceiro, faça um curso e aproveite, além do prazer, de todos os inúmeros benefícios que esta arte proporciona!

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